Londres foi a cidade onde cresci.
Cheguei cá vinda directamente debaixo da asa dos papás e foi aqui que percebi o que era a vida real. Percebi o que era ter o mundo a desmoronar-se na minha cabeça e estar sozinha. Mesmo no meio do melting pot.
Deixei escapar a pessoa mais especial da minha vida. E sem ela anulei-me e magoei-me. E magoei outras pessoas pelo caminho. Será que esgotei a capacidade de amar?
Dúvidas.
Bastou-me olhar aqueles olhos outra vez. Não quero mais passar um segundo longe, não posso.
Cá estou no meio de um apartamento vazio, pronta para a vida. Uma vida a 5.000 km daqui, cada vez mais longe de Lisboa.
Ansiosa, mas sem medo.
Desta vez não estou sozinha.
Até houve champanhe afterwards. I'm in fact a little tipsy.
O que tornaria isto tudo perfeito seria um abraço bem apertado.

Viva o ócio! Hoje foi daqueles dias em que não fiz absolutamente nada.
Até podia postar o escaldão but, oh Lord, it's not a pretty sight...
Entrei numa loja de roupa interior (sim, sou muito original) e a empregada veio logo fazer marcação cerrada. Ora, eu entendo que é o trabalho dela e tudo, mas DETESTO que estejam a olhar para mim quando estou a escolher roupa interior! É uma coisa tão íntima, for God's sake.
Perguntou-me se eu precisava de ajuda, eu educadamente disse que não. Continuei a ver, tirava do cabide as peças que me chamavam mais à atenção e a senhora ali a sorrir ao meu lado.
"É para o Dia dos Namorados?", sussurou-me de forma cúmplice, como se fosse minha amiga.
"Por acaso, é", respondi sem olhar para ela. Costumo ser mais educada, mas a tipa já me estava a irritar.
Escolhi um sutiã e estava a comparar dois tamanhos e vira-se ela "Ah, não, esse não lhe vai servir!".
Levantei os olhos "Desculpe?".
"Esse vai ficar muito pequeno! Veja só..." e eis senão quando a criatura me tira o sutiã das mãos e numa manobra quase kamasutrica (sim, acabei de inventar a palavra) me mete o sutiã por cima do peito e tenta apertá-lo nas minhas costas.
Eu estava tão aparvalhada que mal me mexi enquanto ela, colada às minhas costas, me dizia "Tá a ver? Tem de ser pelo menos um número acima!".
Olhei para o espelho e vi a minha triste figura: envolta em etiquetas e em braços alheios.
"Não é para mim...", ouvi-me dizer.
Acho que ela não entendeu e lá lhe expliquei "É natural que fique um bocado apertado. Não é para mim...".
A ficha acabou por cair. Até tive pena dela, acho que até corou! Pediu-me desculpas e perguntou-me se ia levar mais alguma coisa.
Ela fez o embrulho, paguei e ela só voltou a abrir a boca para retribuir o meu "Boa tarde". ^^

- "Porque?".
- "Ah, ela é fixe. Vais gostar dela, não te preocupes!".
- "Porque é que me havia de preocupar?", respondi em tom desconfiado.
- "Ok. Convidei-a pra ir connosco! Não te preocupes!". Sorriso XL.
- "Tás armado em Cupido?".
- "É gira! É bailarina na Royal Opera House!". Piscadela de olho.
- "... E o que é que eu tenho em comum com uma bailarina de ballet?".
- "Deixa de complicar tudo".
- "Não preciso que me arranjes miúdas".
- "Mostrei-lhe as fotos da passagem de ano e achou-te gira. Estou só a ser simpático".
- "Tens noção que eu tenho outra pessoa, certo?".
- "Por amor de Deus! Vais deixar de viver a tua vida por causa de alguém que nem sequer amas?".
E senti-me emvergonhada. Ok, posso não estar alarvemente apaixonada, mas gosto da pessoa com quem estou. Se há uma coisa que aprendi é que não vale a pena atirarmo-nos de cabeça, sem páraquedas, à espera que alguém nos segure. Um bocadinho menos de faísca e mais sanidade mental. É o meu novo mantra.
Esta
Digo
Chegou a
Dei uma
“Está a
“A
Irónico,
Olhou
Achei
O pessoal parece relativamente porreiro. O meu coordenador é irlandês, tem um sotaque mesmo cómico. Vive pendurado ao telemóvel, quando chego a casa, tenho a voz dele na cabeça… So gay that it hurts. Passa o dia a ouvir a Kylie Minogue, já viram a minha sorte? o_O
Tenho um colega muito giro, por acaso! Mas é tão snob que perde logo metade dos pontos. E é daquele tipo de gajos que se acham super engraçados, no primeiro dia ainda me ri das piadas, mas já que ninguém mais o faz, vou-me deixar disso!
Também há aqui uma menina que uh-la-la!! Mesmo gira! Ainda não tive oportunidade de falar com ela, mas parece hispânica ou latina ou lá como se diz…
(Amorzinho, não fiques preocupada que ao pé de ti, ela não vale um caracol:P)
O resto não se destaca muito. Trintões heteros e chatos. Hoje estou do pior. Ah, mas estou cansada. Estou ainda a adaptar-me a tudo: aos programas de computador, à cidade, a só ouvir falar inglês à minha volta… A abrir a janela do quarto e ao invés do azul do Tejo, ter um céu invariavelmente cinzento. Como eu.
Dito isto, gosto do sítio. Quando estou cá não me sinto tão sozinha… Quer dizer, sinto-me sozinha, mas não me sinto isolada. Quando chego a casa é pior.
Estou cá há duas semanas e parece que já passaram meses. Felizmente há telefones, mas só servem para aumentar as saudades. Detesto sentir-me tão dependente de alguém. Mas ao mesmo tempo dá-me segurança. Mas essa segurança desaparece rápido porque tenho medo. Medo que ela se canse desta situação e encontre alguém bem mais interessante que eu. Medo de ter tomado a decisão errada. Medo de estar a sabotar uma relação que realmente vale a pena.
Em Lisboa, mesmo quando estávamos dias sem nos ver, eu sabia que se eu quisesse, podia pegar no carro a meio da noite e dormir abraçada a ela… Eu tento pensar da mesma forma, só que não é verdade; ela está longe e os meus braços doem por estarem vazios.
Perdoem-me o entusiasmo, mas fico um nadinha histérica quando consigo entrar na rede Wifi do vizinho:P
Vou começar pelo início. A viagem correu bem. Veio uma senhora ao meu lado o caminho todo a contar-me a história da filha que se vai divorciar... Eu até sou uma pessoa sociável e conversadeira mas só me apetecia mandá-la para um sítio cabeludo...
Vim o caminho todo a sentir palpitações no coração e estava com medo de me dar um dos meus ataques de ansiedade (num avião seria a primeira vez, kinda cool), mas com os meus mantras ("Deixa de ser ridícula e acalma-te!") e a ladainha da senhora, a coisa compôs-se.
Chegada a Heathrow. Não me perderam as malas como eu receava, mas estive umas 2 horas à espera:/ Apanhei um taxista mexicano que só dizia asneiras, mas foi querido e ajudou-me a levar as malas até à porta do flat.
A minha casinha é pequenina mas amorosa! O meu quarto tem vista para um jardim privado, esta manhã acordei com a porra de um esquilo a bater-me na janela! Eu até gosto deles. Mas assim de mais perto parecem ratos com uma cauda farfalhuda! Mas antes esquilos, que pombos. Odeio pombos.
Como não tenho mais nada para fazer, passeio. Na 6ª fui ao Tate ver a exposição do Dalí. Adorei, claro. Gostaria de tê-lo conhecido, acho que nos daríamos bem, ah ah! Ver aquelas maravilhas que eu conhecia dos livros foi amazing. E a guia era gira:P
Amanhã quero ir a uma feirinha aqui perto e a ver se vou correr porque tenho um parque mesmo aqui ao lado e faz-me bem para espantar as parvoíces que povoam esta loura cabecinha...
Tenho saudades da minha cidade, da família, dos amigos, e claro, dela. As descargas de adrenalina que sinto cada vez que ela me manda uma SMS não devem ser normais, mas eu também nunca primei pela normalidade...

Mal acredito que amanhã à tarde entro de férias... Este ano foi de loucos. Apetecia-me mergulhar na cama e hibernar durante um mês. Só vou ter uma mísera semana de férias que nem férias vão ser. Tenho tanta coisa para tratar ainda...
Detesto mudanças! Abrir o armário e ter de escolher o que vai e o que fica. Eu não sei seleccionar, acho que vou levar tudo comigo! (Só espero que não me percam as malas como é apanágio da TAP...).
Amanhã é o meu último dia cá no emprego. Vou ter saudades disto, apesar do cansaço. Como dizem os brasileiros "a gente se f*de, mas a gente se diverte!". Diz que vai haver festarola em minha homenagem e tudo... Detesto essas mariquices porque detesto chorar em público e já sei que me vou debulhar em lágrimas! Sinto-as aqui a fervilhar há dias...
Sei que sou uma exagerada, que muita gente se muda para sítios ainda mais longe e inócuos, mas eu tenho medo. Mas nem sei do quê! Sempre tive esta vontade de viver fora, mas... Digamos que gostaria de ter a companhia de uma certa pessoa...
Apesar de tudo, estou optimista. Acho que vou gostar do novo emprego e de lá viver. As saudades vão ter de ser sublimadas de alguma forma... Alguém tem alguma sugestão?
DN Online
Estamos quase em Agosto. Isto não é normal.
(Note to self: Juntar à lista de desvantagens de me mudar para Londres...).
Porquê esta resistência? Temo não ter nada de relevante a acrescentar.
Mas tenho muito coisa para extravasar.
Principalmente agora.
Nunca me senti tão indecisa, tão... perdida. Tenho de tomar uma decisão que não quero tomar. Porque não podemos ter tudo na vida? Amor e realização profissional? Eu não quero uma vida fracturada, quero viver plenamente. A fazer o que gosto e com a mulher que amo.
Amar...
Nunca achei que teria tanto amor a germinar dentro de mim. Muita gente passou na minha vida, mas nunca ninguém me conheceu completamente. Pouca gente realmente se deu ao trabalho de me ver. De conhecer, além do meu corpo, o que está lá dentro.
E tu fizeste isso. Mantiveste-me à distância até veres que havia algo em mim que valia a pena conhecer e desde então estás tatuada em mim.
Respiro-te, louvo-te, quero-te.
E quero viver-te.
Sempre.

